Vida de Santa Teresa de Calcutá
A menina de Skopje
Primeiro, o nome de batismo dela não era Teresa. Ela nasceu Anjezë (Inês) Gonxhe Bojaxhiu, em 1910, na cidade de Skopje (que hoje fica na Macedônia do Norte, mas na época era parte do Império Otomano). Desde muito novinha, por volta dos 12 anos, ela já tinha colocado na cabeça que queria ser missionária e ajudar os outros.
Aos 18 anos, ela tomou a decisão definitiva: saiu de casa e foi se juntar às Irmãs de Loreto, na Irlanda. A ideia era aprender inglês lá para, em seguida, embarcar para a Índia. Foi nessa época que ela adotou o nome de Teresa, inspirada em Santa Teresinha do Menino Jesus.
"O Chamado dentro do Chamado"
Ela passou quase 20 anos na Índia dando aula em um colégio para meninas de famílias ricas em Calcutá. Ela chegou a ser diretora, e a vida era relativamente tranquila e protegida dentro dos muros do convento.
Mas, em 1946, durante uma viagem de trem para Darjeeling, aconteceu o que ela chamou de "o chamado dentro do chamado". Ela sentiu de forma muito forte que Deus estava pedindo para ela largar tudo – o convento, a segurança, o magistério – e ir viver nas ruas, servindo aos "mais pobres dos pobres".
O trabalho nas ruas de Calcutá
Pra você ter uma ideia do desafio, no começo ela não tinha absolutamente nada. Ela trocou o hábito tradicional, pesado e quente das freiras europeias, por um sari branco de algodão bem barato com três listras azuis nas bordas (que virou a marca registrada dela).
Ela ia para as favelas de Calcutá e recolhia pessoas que estavam literalmente morrendo nas ruas – rejeitadas, doentes, famintas, pessoas com hanseníase. Ela as levava para um espaço cedido por um templo hindu. O foco dela ali não era curar todo mundo (até porque não havia hospitais de ponta para isso), mas garantir que aquelas pessoas não morressem sozinhas, que elas tivessem dignidade e sentissem que alguém se importava com elas no fim da vida.
Aos poucos, outras jovens (muitas delas ex-alunas do colégio onde ela deu aula) começaram a se juntar ao trabalho. E foi assim que nasceu a congregação das Missionárias da Caridade.
O mundo descobre Madre Teresa
O trabalho que começou de forma tão anônima, humilde e difícil acabou ganhando os holofotes. O mundo ficava chocado com a dedicação daquela mulher que abraçava doentes que ninguém queria chegar perto.
O reconhecimento máximo veio em 1979, quando ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz. E olha que interessante: ela recusou o tradicional e luxuoso banquete de comemoração do Nobel e pediu que todo o dinheiro que seria gasto na festa fosse doado para os pobres da Índia.
O Legado
Madre Teresa faleceu em setembro de 1997, aos 87 anos. O mundo inteiro parou. O governo indiano quebrou protocolos e deu a ela um funeral de Estado, uma honra raríssima. Anos depois, em 2016, o Papa Francisco a declarou santa oficialmente: Santa Teresa de Calcutá.
Hoje, a congregação que ela fundou está espalhada por mais de 130 países, administrando orfanatos, hospícios e centros de acolhimento, fazendo exatamente o que ela começou nas ruas de pó de Calcutá.
É uma daquelas histórias que, independentemente de religião, faz a gente parar para repensar o nosso próprio nível de empatia, não acha?
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